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quinta-feira, 24 de maio de 2012

MANIFESTO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL BRASILEIRO TODO APOIO À GREVE DA EDUCAÇÃO!

Vivemos a maior greve das instituições federais de ensino superior da última década. A partir do chamado pelo ANDES-SN da greve dos professores no dia 17 de maio e o indicativo de greve da FASUBRA para 11 de junho, foi uma enxurrada de assembléias massivas e uma após a outra, as universidades e institutos federais aprovando a greve. Entre os estudantes, muita solidariedade à greve dos professores e funcionários. O movimento estudantil brasileiro deve prestar todo o seu apoio à luta das diferentes categorias em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Essa luta também é nossa!
Não é a toa que vivemos esse período atual de lutas e greves. Só nos últimos 2 anos, o governo Dilma cortou quase R$5 bilhões da educação. Ao mesmo tempo, apresentou o novo Plano Nacional da Educação que não resolve o grande problema da falta de investimento, propondo apenas 7% do PIB só para 2020.
Nos últimos 5 anos, fruto da implementação do REUNI, as universidades federais passaram por um processo de expansão que não veio acompanhado dos recursos necessários, e agora acumularam-se diversos problemas. Falta assistência estudantil (bolsas, restaurantes universitários, moradias, creches universitárias), professores efetivos, estrutura física e novos prédios, segurança nos campi, e um longo etc. Para os trabalhadores das universidades, muita sobrecarga de trabalho, com salas de aula super-lotadas, professor efetivo contratado como temporário, escassez das bolsas de pesquisa e extensão, aumento médio de até 40% do número de horas-aula, a falta de um plano de carreira digno.
Em 2007, na forte mobilização nacional que ocupou diversas reitorias quando o REUNI foi aprovado, os estudantes alertaram que isso aconteceria. 5 anos depois, essa greve só comprova a irresponsabilidade da expansão orquestrada pelo governo federal. Não basta expandir as universidades, é preciso sustentar essa expansão! Se o governo federal não ampliar de fato o investimento para a educação, desde as creches públicas, as escolas municipais e estaduais, até o ensino superior, essa situação nunca irá se solucionar.

Queremos Expansão com 10% do PIB para a Educação!

É por isso que nós, entidades estudantis abaixo-assinadas, organizamos esse Manifesto do Movimento Estudantil Brasileiro, declarando “Todo Apoio à Greve da Educação!” e convocando os estudantes à luta. Enquanto a juventude está em luta no mundo inteiro, derrubando ditaduras e enfrentando os efeitos da crise econômica, chegou a hora de da juventude brasileira também entrar em cena. Vamos defender nossa educação, pública gratuita e de qualidade, junto com a classe trabalhadora, pra transformar o Brasil! 
Chamamos todas e todos estudantes para construir uma Marcha Nacional da Educação que será realizada no dia 5 de junho em Brasília, chamada pela FASUBRA e o ANDES-SN, que servirá pra pressionar nossos governantes a atender as reivindicações. E no mesmo dia, instalar o Comando Nacional de Greve dos Estudantes, que possa unificar o conjunto do movimento estudantil e traçar os próximos desafios para nossa mobilização. Paute na sua entidade e assembléias estudantis e venha se somar a essa luta!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Direto do Chile: Dirigente da ANEL relata os maiores protestos estudantis desde o final da ditadura

 Clara Saraiva, direto de Santiago (Chile)

 Mais uma vez, a ANEL tem a oportunidade de demonstrar sua solidariedade ativamente à luta da juventude; dessa vez a chilena. Todas as universidades e colégios aqui estão “en toma”, ou seja, ocupados pelos estudantes. A juventude está protagonizando gigantescas mobilizações, que já chegaram a reunir meio milhão nas ruas, em diferentes partes do país. O frio, terrível, não é suficiente para deixá-los em casa. Muito menos a propaganda midiática, o gás lacrimogêneo ou os jatos d água tóxica da polícia.

“La educación chilena no se viende: se defiende!”
Desde que estou aqui, em todos os lugares a luta estudantil se faz presente. Há cartazes colados por toda a cidade de Santiago, qualquer universidade ou colégio que passo tem enormes faixas deixando claro a ocupação. A televisão e os jornais sempre cobrindo com matérias e, quase todos os dias, algum protesto nas ruas. Um estudante me explicava que no Chile, todo ano tem lutas em defesa da educação, que acontecem em maio e junho. Agora, além de estarem se desenvolvendo já em julho, no meio das férias, e sem data pra terminar, estão acontecendo as maiores mobilizações estudantis dos últimos 30 anos.

A defesa é de uma educação gratuita, 100% estatal e de qualidade, combatendo a lógica de educação-mercadoria. Aqui no Chile, o nível de privatização das universidades é enorme. É o terceiro setor mais lucrativo do país. O governo Piñera, em suas declarações, defende abertamente a entrega da educação nas mãos das empresas e é odiado pelos estudantes em luta. E o ministro da educação então, Joaquin Lavín, é ridicularizado com bonecos e palavras de ordem, como uma que diz assim: “Quien no salta es Lavín!” – e todos pulam juntos.

Ontem fiz uma entrevista com representantes de ACES (Assemblea Coordinadora de Estudiantes Secundários) e de CONFECH (Confederacion Nacional de Estudiantes de Chile). Fomos convidados para participar de uma matéria na Rádio Comunitária 1º de Maio. É uma rádio de esquerda, que além dos programas musicais, sempre faz entrevistas e matérias de apoio às mobilizações.

Na entrevista e na rádio, os estudantes chilenos afirmaram muito a necessidade de seguir lutando sem aceitar as propostas do governo Piñera, que não atende suas reivindicações. Defendem uma reforma estrutural da educação no Chile, garantindo sua completa gratuidade. Hoje em dia, não há nenhuma universidade pública que não cobre taxa. Falava com uma estudante de direito da Universidad de Chile, a universidade pública mais importante, que me dizia ter que pagar para se matricular 3 milhões de pesos chilenos por ano (quase 10 mil reais)!

Outro problema grave tem a ver com as consequências do poderoso terremoto que atingiu o país no dia 27 de fevereiro de 2010. Muitos colégios e universidades tiveram problemas estruturais e foram evacuados de sua atividade acadêmica. O problema é que até hoje, estão do mesmo jeito. Ou os estudantes estão em condições perigosas e precárias na estrutura do prédio, ou foram transferidos para outros locais sem quaisquer condições de lhes abrigar. Exigem reformas estruturais e reconstrução dos prédios já.

As federações estão reivindicando a realização de uma Assembleia Constituinte e um Plebiscito Oficial sobre a educação gratuita, além da queda imediata do ministro da educação. Ressaltam, para isso, a importância da aliança entre estudantes e trabalhadores, e a luta tem tomado cada vez mais um caráter amplo, em defesa dos direitos e da qualidade dos serviços públicos. Sem dúvida a principal articulação foi da aliança dos estudantes com os mineiros, que estão em luta pela renacionalização do cobre. O Chile produz mais de 30% do Cobre para todo o mundo. É o maior produtor mundial. Nesta segunda-feira, dia 11, os mineiros da Codelco, uma estatal chilena, fizeram uma greve geral de 24 horas, na qual todos os setores pararam de acordo com a Federação de Trabalhadores do Cobre, que reúne mais de 15 mil mineiros. Essa é a primeira greve dos últimos 18 anos. Os prejuízos estão em torno de 40 milhões de dólares. Os trabalhadores estão lutando contra o projeto de "modernização" que o governo Piñera está implementando, que na prática avança para a privatização da estatal. Este é, sem dúvida, um claro exemplo de como o movimento estudantil pode trazer os trabalhadores para a luta, e ampliar suas forças através da aliança operário-estudantil. As entidades estudantis agregaram à sua pauta de reivindicações a exigência da nacionalização e estatização do cobre, além de lutarem contra a privatização da estatal Codelco. Exigem que a riqueza nacional do país seja revertida para as áreas sociais, como educação e saúde.

No Chile, um novo movimento estudantil pede passagem
Todos que eu conversei me dizem que além de mais pessoas e mais tempo lutando, as mobilizações de 2011 tem trazidos novas formas de lutar. Com uma empolgação contagiante, usam da criatividade para inovar nas lutas. Estive hoje presente no “Carnaval em Plaza de Armas”. É uma atividade que reuniu cerca de 1.000 estudantes, com o rosto pintado, fantasiados, com instrumentos e cartazes coloridos. Muita irreverência para defender a educação gratuita.

Semana passada, dezenas de milhares fizeram o “besáton”, dizendo que a educação precisa de entrega e compromisso, que precisa de paixão! Passaram meia hora entre casais, hetero e homossexuais, se beijando. Um protesto organizado pelas redes sociais, que trouxe um novo gás para a luta.

As manifestações culturais e lúdicas sempre estão presentes, deixando cada mobilização com a criatividade típica da juventude. Ontem, dia 12, me deparei no meio da rua com um estudante vestido de roupa de ginástica, dando voltas e mais voltas correndo em torno de uma praça, onde fica o "Palácio de La Moneda"', onde é a sede do governo federal. Colocou-se o desafio de correr em volta da praça por 1.800 horas, e a cada vez que cumpre uma volta, seus colegas dão gritos de incentivo. Há outro estudante que está em greve de fome. Parece que por aqui, para defender a educação, tudo é possível.

Também estão recebendo muito apoio dos seus pais e mães. Hoje estive num colégio ocupado e haviam duas mães ajudando no preparo das refeições – com a ajuda dos estudantes! – e me disseram que os pais devem se engajar também, que a luta pela educação deve ser de todos. Estavam muito orgulhosas de seus filhos.

A ANEL construindo a solidariedade latino-americana
As principais federações que estão dirigindo a luta estudantil sabem que existe uma entidade no Brasil que apóia sua luta. Levei a solidariedade da ANEL à reuniões da FECH (Federacion de Universidad de Chile), a maior e mais tradicional, da FEP (Federacion de Estudiantes de Pedagógico), uma universidade de licenciatura, da ANES (Assemblea Nacional de Estudiantes Secundários) e ACES (Assemblea Coordinadora de Estudiantes Secundários), entidade secundarista de Santiago. Lembrei dos momentos de luta contra o REUNI, em 2007 e 2008, quando ocupamos as reitorias das principais universidades do Brasil.

Em todas, fiz uma saudação da ANEL, explicando a situação da educação pública no Brasil, que é muito parecida com a deles, e lhes contando de nossa campanha prioritária contra o novo Plano Nacional de Educação do governo Dilma, assim como a exigência do investimento de 10% do PIB em educação. Aqui, o governo Piñera investe cerca de 3% do PIB apenas, e os movimentos têm exigido pelo menos 7%, além de que a verba pública seja fiscalizada e garantida para apenas escolas e universidades públicas.

Contei-lhes do processo de reorganização que vive o Brasil e a importância de termos uma entidade hoje para defender os interesses dos estudantes, de forma democrática e independente. Em todas as reuniões fui recebida muito bem e todos ficaram muito contentes de ver que podem contar com o apoio dos estudantes brasileiros. O sentimento de sermos “hermanos latino-americanos” esteve muito presente. Já que o imperialismo através do Banco Mundial e do FMI ataca de conjunto nosso direito à educação, com projetos de privatização e reestruturação, nossa resposta deve ser também articulada e lutando juntos.

A todos que conversei, disse da experiência da ANEL no Egito, e da importância que as lutas da juventude do mundo árabe e da Europa. Eles também acompanham e se identificam muito com essas lutas. Sabem que tem um caráter de questionamento de regimes, como a derrubada das ditaduras e o questionamento da falta democracia do sistema capitalista. Querem que a sua luta pela educação se desenvolva e questione cada vez mais o sistema. Sabem que pra isso precisam da aliança com os trabalhadores. Precisam da solidariedade latino-americana. E agora sabem também, que para seguir e fortalecer com sua luta podem contar com a “Assemblea Nacional de Estudiantes Libre”, de Brasil.

Santiago, 12 de julho de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Lutando para Lutar: A Anel e a Construção de uma Alternativa para o Movimento Estudantil Combativo

ELI MAGALHÃES

Certa feita, em um debate sobre a situação do movimento estudantil e o papel da União Nacional dos Estudantes (UNE), no ano de 2005, na Universidade Federal de Alagoas, um companheiro iniciou a atividade de maneira inusitada. Referindo-se a Gabriel García Márquez, em seu clássico Crônica de uma morte anunciada, arrematou que, como o escritor colombiano inicia seu livro, ele gostaria de iniciar o debate declarando a morte de seu personagem principal: a UNE.

Passados quase seis anos, é possível ser vista a seguinte notícia em inúmeros sítios da internet: UNE pede apoio a mantenedores de instituições de ensino superior particulares (
http://www.abmes.org.br/abmes/noticias/detalhe/id/230). Durante a leitura da matéria, encontra-se a seguinte passagem:

“Chagas [presidente da UNE] afirmou que a UNE está empenhada em fazer com que a educação possa se desenvolver no Brasil e ressaltou que muitas das batalhas têm sido vencidas junto com o setor privado. 'Nós sabemos do papel que o ensino particular tem desempenhado historicamente na estruturação da educação brasileira', reforçou, complementando que já foram superados alguns equívocos que impedem a visão clara da real contribuição do setor neste contexto”.


Ora, o leitor deve saber que uma Instituição de Ensino Superior privada é, na verdade, uma empresa. Uma empresa cujo objeto de atividade é a prestação de serviços na área de educação, é óbvio, mas ainda assim, uma empresa. Como se sabe, o objetivo principal de uma empresa (repetimos propositalmente este termo), pela sua própria manutenção, é a obtenção de lucro. O lucro, por sua vez, é também privado. E em um país em que 80% das matrículas no ensino superior estão no setor privado, e apenas 20% no setor público, este lucro não é pequeno.


A única contribuição do setor privado à educação nacional é a da transformação daquilo que é estabelecido como um direito fundamental de todos os cidadãos em mercadoria. A educação é garantida a você, contanto que tenha dinheiro para pagar por ela. Assim, no Brasil, menos de 15% da juventude tem acesso ao ensino superior. Que espetacular “contribuição”!


A UNE, no entanto, a reconhece. Não só busca parceria com a ABMES (Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior), como, assim diz a matéria de que tratamos, pede para que o seu 52º Congresso Nacional, seja financiado por ela.


Historicamente o movimento de luta pela educação combate pela garantia de uma educação pública universalizada e de qualidade. Ora, porque uma associação de mantenedoras de instituições privadas financiaria tal luta? É um completo contra senso doar fundos para aquele que declara uma luta feroz contra você. Ainda que não passe de uma proposta, que partiu da própria UNE, a ideia de financiamento de seu principal espaço político nacional por parte do setor empresarial da educação significa duas coisas simples: primeiro, a entidade abandonou completamente sua independência financeira do grande capital e especialmente do capital adquirido através da venda de um direito o qual ela deveria defender; segundo, o abandono desta independência financeira é causa e consequência do abandono de sua independência política, para permanecer na luta pela qualidade e garantia da educação para todos, em defesa da educação pública.


Passados seis anos, então, parece-nos que a forma de iniciar o debate fazendo referência à García Márquez continua válida. A UNE morreu. Aquela União Nacional dos Estudantes, que lutou, durante os períodos mais negros da ditadura militar, contra o governo repressor e seus planos de desbaratar completamente a educação pública no país através dos acordos MEC-USAID, não existe mais infelizmente. Aquela União Nacional dos Estudantes que levantou a palavra de ordem “O Petróleo tem que ser nosso!” pela completa estatização do petróleo nacional, hoje declara-se apoiadora incondicional do governo que organiza leilões das jazidas nacionais para as Big Oil's mundiais. Enche a boca para falar que defende 50% do Pré-sal para a educação, mas esquece de dizer que este 50% é apenas de seu fundo social, que não passa de míseros 9% da riqueza que ele representa, ficando 91% para a burguesia.


A UNE de hoje, recebe R$ 10 milhões do Governo Federal e assina embaixo de todos os seus projetos privatistas para a educação. É a UNE que apoia o financiamento público para universidades privadas com o ProUni (através da isenção de impostos de universidades privadas, já foi gasto o dobro do orçamento da educação e da saúde juntos através deste programa, que não foram investidos no setor público); a UNE que apoia a expansão precarizada das universidades federais com o ReUni; a UNE que apoia a avaliação punitiva e ranqueadora do SINAES (que inclui o ENADE, uma cópia piorada do Provão de FHC) e um longo etc. E hoje, nos Congressos da UNE, existem mais falas de ministros e secretários do governo, do que de estudantes e trabalhadores. E a entidade gasta mais tempo em reuniões de gabinete, do que na luta de rua pelos direitos dos estudantes.


Portanto, a UNE morreu, mas para a luta dos estudantes. Ela continua existindo, com bastante força inclusive, mas do outro lado do movimento pela educação. Apoiando toda a política de reforma universitária que foi implementada durante dois mandatos de Lula e que continua com o Plano Nacional de Educação de Dilma.


Frente a isto, em 2009 surge a Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre. A ANEL é um acúmulo de um setor do movimento que desde 2003 rompe com a União Nacional dos Estudantes e declara-se independente dos governos, de suas políticas e de seu dinheiro. O objetivo principal da entidade é a recuperação da autonomia do movimento estudantil e sua reorganização para o combate em defesa do direito à educação pública, gratuita e de qualidade. No último feriado de Corpus Crhisti, de 23 a 26 de Junho, foi realizado o seu primeiro Congresso Nacional na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, quando a entidade completava dois anos de existência.


Durante o Congresso, foram feitos debates e propostas para a atual situação do movimento estudantil nacional. Ele inicia com um balanço positivo dos dois anos de atuação da ANEL. Neste período, a entidade tocou campanhas importantes como de solidariedade às vítimas do terremoto do Haiti em conjunto com a retirada das tropas brasileiras que ocupam militarmente o país; pelo Fora Sarney, envolvido com casos de corrupção, e pelo fim do Senado; pela organização de um dia de luta nacional contra o aumento das passagens de transporte público; pela criminalização da homofobia etc. Recentemente, a ANEL-RJ esteve intimamente envolvida com a luta dos bombeiros unificada com aquela dos professores do estado, que chegou a mover 50 mil pessoas no Rio de Janeiro. A ANEL-AL esteve entre as principais entidades das mobilizações pelo Fora Téo, contra o governo tucano do estado, com passeata de quase 2 mil pessoas. A ANEL-RN segue firme na luta pelo Fora Micarla. E estes são apenas alguns exemplos.


O Congresso reafirmou os quatro princípios da entidade, que permitiram que estas campanhas pudessem ser tocadas: ampla democracia interna; aliança com a classe trabalhadora; independência financeira; e ação direta. As falas de entidades convidadas ao evento confirmam o compromisso da ANEL com as lutas dos trabalhadores e de todos os explorados e oprimidos. Durante os debates, os estudantes presentes puderam receber saudações de sindicados e movimentos como o ANDES-SN, o MST, o MTST, o comando de Greve dos trabalhadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, do sindicato da construção civil de Fortaleza, da CSP-Conlutas, sem falar em saudações internacionais de estudantes participantes do movimento 15-M espanhol, responsável pelas recentes ocupações de praças no país, de um estudante suíço que fez um relato sobre as lutas da juventude europeia como um todo, estudantes argentinos que participaram do recente estudiantazo em 2010, com ocupação da Universidade de Buenos Aires, de participantes da 3ª Intifada Palestina, além do relato da própria militante enviada pela ANEL para a cidade do Cairo no Egito, Clara Saraiva. Foram pontos fortes as saudações feitas pela professora Amanda Gurgel e por uma das lideranças do movimento dos bombeiros no Rio de Janeiro, o Cabo Daciolo.


Os debates foram organizados em plenárias e grupos de discussão e decorreram com bastante democracia e ampla abertura de participação dos estudantes. Nem sempre foram calmos, mas ocorreram mesmo momentos de polêmicas acaloradas. O tema do apoio aos bombeiros chegou a dividir o plenário, ficando uma ampla maioria na defesa do apoio, enquanto a minoria, organizada em torno do bloco Anel às Ruas (algo próximo a 100, dos 1700 participantes), defendia uma posição de contrariedade ao apoio à luta da categoria combinada com uma oposição a Sérgio Cabral.


Este contudo, não foi o principal tema do congresso, mas cremos que outros três foram de importância capital: a aprovação e organização de uma campanha nacional de exigências de 10% do PIB para a educação já e contra o PNE de Dilma; as resoluções que denotam a preocupação dos estudantes da ANEL com a necessidade de trabalho de base, revertendo anos de atraso deixados pela UNE neste campo, numa luta audaz pela reconstrução do movimento estudantil brasileiro em cada universidade e escola do país; as resoluções resultantes dos debates acerca do combate às opressões como racismo, machismo e homofobia, que foram temas acerca dos quais os estudantes dedicaram parte considerável das discussões, com direito a atos políticos durante o próprio congresso contra o machismo e a homofobia.


Para além da programação oficial, muitos eventos eram realizados paralelamente, nos espaços de folga. Foram reuniões de estudantes por cursos, que discutiram os problemas específicos de suas áreas; reuniões de coletivos e bancadas; lançamentos de livros; palestras sobre a situação internacional etc. Dentre esta miríade de atividades, nos interessou particularmente o lançamento do livro Sociedade de classes, direito de classes, de Juary Chagas. A atividade foi construída em um dos espaços vagos da programação, logo após um dos almoços. Juary, que lançou seu livro pela Editora Sundermann, apresentou em linhas gerais sua obra. Seu discurso foi acompanhado por um punhado de estudantes de direito que levantaram temas de debates como o papel do direito na dominação dos oprimidos, os equívocos das estratégias reformistas que se limitam na luta por direitos, a necessidade de se pensar o direito na transição para o socialismo. Também acompanhou o debate a professora Amanda Gurgel, amiga e camarada que milita no mesmo estado do autor do livro. Após o debate, os estudantes de direito aproveitaram para fazer uma reunião para a discussão de problemas de seus respectivos cursos.


Na relatoria das resoluções da plenária final do Congresso da ANEL, o leitor poderá encontrar inúmeros outros pontos relevantes de discussão. Seria impossível nos limites deste texto comentar todas as propostas aprovadas, que incluem temas como: democratização das comunicações no país; luta contra o agro negócio; luta em defesa do meio ambiente e contra o Código Florestal de Aldo Rebelo (PCdoB e ex-diretor da UNE); contra a criminalização dos movimentos sociais (debate que contou com a presença de militantes presos no Rio de Janeiro durante a visita de Obama); pela construção livre da arte e cultura e contra a lei Rouanet; a preocupação com um esporte livre do capital e voltado para a realização humana, como não acontece com os mega eventos que vêm sendo preparados como a Copa do Mundo e as Olimpíadas etc.

Recentemente, a professora Amanda Gurgel recusou um prêmio oferecido pelo Pensamento Nacional de Bases Empresariais (PNBE), que a titulava como importante brasileira na construção da educação. A recusa da professora se deu por um motivo simples: não se luta pela educação ao lado dos empresários que lucram com a venda dela. O recado da ANEL é, portanto, muito claro. O dinheiro e o apoio do Governo Federal e da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior que fique com a UNE. Os estudantes que constroem a ANEL ficam com Amanda Gurgel, com os trabalhadores que lutam em Jirau, na USP, e em todo o país, com a juventude revolucionária do mundo árabe, com a juventude em luta da Europa e do resto do mundo, com os palestinos que se enfrentam com a política reacionária de Israel, e, especialmente, com a luta por uma educação efetivamente pública, de qualidade e universal. Agora é voltar para as universidades, para as escolas, e enfrentar o marasmo que foi deixado pela UNE. É hora de sacudir o movimento estudantil.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Enquanto isto...

UNE pede apoio a mantenedores das instituições de ensino superior particulares

Por: Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Presidente da União Nacional dos Estudantes solicitou apoio da ABMES para a realização do congresso de eleição dos dirigentes da entidade e propôs parceria pelo desenvolvimento da educação no país

Representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) estiveram na sede da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) com o objetivo de estreitar o contato entre as entidades. O presidente da UNE, Augusto Chagas, propôs uma parceria para a construção de uma agenda comum em torno do ensino superior. Para a ABMES, a integração dos segmentos contribuirá para o crescimento da educação como um todo e para o alcance da meta de 10 milhões de estudantes no ensino superior do país nos próximos quatro anos.

Chagas afirmou que a UNE está empenhada em fazer com que a educação possa se desenvolver no Brasil e ressaltou que muitas das batalhas têm sido vencidas junto com o setor privado. “Nós sabemos do papel que o ensino particular tem desempenhado historicamente na estruturação da educação brasileira”, reforçou, completando que já foram superados alguns equívocos que impedem a visão clara da real contribuição do setor nesse contexto.

O presidente da UNE destacou ainda a importância de políticas públicas não apenas para o ingresso do estudante no ensino superior, mas também para garantir que não haja evasão no decorrer do curso. “Se a gente quer popularizar a educação, precisa de políticas para manter o estudante na escola. O Fies e o ProUni são políticas importantes, mas as que tratam da permanência ainda são muito limitadas e exclusivamente concentradas nas instituições públicas”, alertou. Chagas acrescentou que aqueles que mais precisam de auxílio para se manter em um curso superior são os estudantes das instituições particulares. “O dia-a-dia de grande parte desses estudantes universitários é muito complicado. A maioria precisa trabalhar e enfrentar essa jornada de acordar cedo para ir para o emprego durante todo o dia e estudar a noite”, lembrou.

(...)